Apresentamos um artigo de Gilberto de Mello Kujawski (1), que, embora se refira a um fato distante, guarda sua plena atualidade. Escreve Gilberto Kujawski:
1 Gilberto de Mello Kujawski, escritor e jornalista, é membro do Instituto Brasileiro de Filosofia.
Carlos Alberto Direito, o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), tem sido alvo de muitos comentários da imprensa. Conta-se dele, por exemplo, que em 2005 teve um desentendimento com o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Edson Vidigal. "Direito queria que fosse colocado um crucifixo no plenário. Numa votação secreta, a colocação da imagem de Cristo ganhou por um voto. Vidigal, ainda assim, foi contra. Defendia que o Estado é laico, não poderia escolher uma religião. Direito insistiu. Vidigal enrolou" (Estado, 29/8, A11). O juiz gaúcho Roberto Lorea é do mesmo parecer que Vidigal. Em artigo na "Folha de S. Paulo" assim se manifestava na ocasião: "A ostentação de um crucifixo no plenário do STJ é inconstitucional porque viola a separação entre o Estado e a Igreja, ferindo o direito à inviolabilidade da crença religiosa, que é assegurada a todos os brasileiros" (24/9/2005).
Aqui no Brasil, a Ponte Estaiada, o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, e o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, serão alguns pontos banhados por luz azul.
Um piano subirá, pela primeira vez, no Corcovado para um show aberto ao público.
O pianista Álvaro Silviero, que preparou um repertório especial para a data, fala sobre a importância da música para o desenvolvimento humano.
Amigos enxadristas: - vamos acompanhar o match que ocorrerá em Moscou, a partir de 10 de maio.
Ogm Rafael Leitãofez uma análise profunda do estilo de cada jogador. Confiram:
The World Chess Championship 2012 between the defending World Champion Viswanathan Anand and the challenger from the Candidates Matches Boris Gelfand will take place in May 2012 in Moscow, Russia. Início: 10-maio-2012 Final: 1-Jun-2012
Posição Nome País Rating Ano do nascimento 1 Carlsen, Magnus NOR 2835 1990 2 Aronian, Levon ARM 2820 1982 3 Kramnik, Vladimir RUS 2801 1975 4 Anand, Viswanath IND 2799 1969 22 Gelfand, Boris ISR 2727 1968 29 Polgar, Judit HUN 2709 1976
Gelfand foi o grande campeão do Torneio de Candidatos, derrotando o "cool poker player" Grischuk na final. Se, por um lado, um certo romantismo inerente à personalidade do jovem russo derrotado lhe angariava uma legião de fãs, dentre os quais se inscreve este cronista, por outro lado a vitória de um enxadrista símbolo do xadrez ciência nos serve para relembrar o árduo trabalho para chegar e se manter no topo. Gelfand merece nosso respeito. Rápidas foram as condenações ao seu estilo de jogo, à sua pessoa sem carisma e outras baboseiras. Como me referi a Fischer, certa vez - um enxadrista é medido por seus lances. E os do Gelfand são de categoria. Quanto ao estilo de jogo, tenho o seguinte a declarar: aqueles que não conhecem profundamente o xadrez têm a tendência de creditar genialidade somente àqueles que promovem complicações no tabuleiro e demonstram sua força tática e cálculo superior. É mais fácil de entender um xadrez matemático e concreto do que um xadrez profilático e abstrato. Por essas razões, Alekhine, Tal, Fischer e Kasparov, por exemplo, são colocados em um nível mais alto do que Lasker, Capablanca, Petrosian e Karpov. O jogo destes últimos, com seus mínimos detalhes posicionais, é muito menos vistoso e muito mais difícil de entender do que o jogo de primeiro grupo. E digo mais: a grandeza do segundo grupo (estilo no qual se enquadra, guardadas as proporções, Gelfand) é equivalente à do primeiro: o resultado seria 2 x 2.
O estilo científico do israelense vai além do estudo profundo de variantes de abertura. Certa vez o escutei discorrer sobre os efeitos nocivos de tomar sol (que suga nossas energias) antes das partidas. A impressão é que ele tem tudo metodicamente programado. E sua lógica deu certo. Está desde o início dos anos 90 na elite do xadrez mundial, foi Campeão da Copa do Mundo e do Torneio de Candidatos. E foi vice no Campeonato Mundial disputado no México, para quem não se lembra; se em suas veias corresse o fervente sangue latino, certamente pensaria: "Vão ter que me engolir!". Mas tenho certeza que ele não dá a mínima para seus detratores. O simpático desafiante, que sempre cumprimenta toda a delegação brasileira em Olimpíadas e afins, só quer saber de melhorar seu jogo. Além do mais, confesso que me decepcionei com Grischuk no match final. Depois de apertar o Gelfand nas duas primeiras partidas, simplesmente desistiu de forçar as partidas, talvez devido ao cansaço. O russo, dentre suas curiosas idiossincrasias, tentou revolucionar a estratégia historicamente admitida em matches, invertendo sua lógica: passou a empatar rapidamente de brancas e jogar para ganhar de pretas. Tivemos a prova cabal que nem todas as idéias boêmias levam ao sucesso: foi derrotado, de pretas, pela mão pesada de Gelfand, na última partida.O que esperar do encontro com Anand? O indiano deu mais uma prova de sua classe ao despachar sem problemas o inconstante Shirov, em um match de rápidas. Gelfand deve perder o match, porque Anand faz todo o trabalho científico, com um diferencial: é um gênio. E é um dos melhores enxadristas da história. Quando eu estava treinando em Moscou, perguntei a Dvoretsky o que faltou para que Yusupov fosse campeão mundial. A resposta: "He´s not a genius, like Anand". Por essa razão, salvo uma grande zebra, Boris Gelfand